Brasil participará de fase avançada de teste de vacina contra HIV

O Brasil e mais sete países participarão de fase avançada de teste de vacina contra o HIV, que está previsto para começar até o fim de 2019. Essa é a terceira fase do estudo Mosaico, que testará em humanos uma vacina considerada promissora contra o vírus.

O projeto deve abranger quase 4 mil pessoas e contará com a participação de cerca de 3.800 indivíduos, com idades entre 18 e 60 anos. . Serão 24 centros de estudo nos Estados Unidos (EUA), nove no Brasil, cinco no Peru, quatro na Argentina e três no México. Na Europa estão na lista a Espanha, Itália e Polônia.

Para Susan Buchbinder, presidente do protocolo Mosaico e diretora do programa Bridge HIV do Departamento de Saúde Pública de São Francisco, o compromisso dos pesquisadores é o de garantir que os resultados dos testes de vacina contra o HIV sejam aplicados para populações de diversos países, informa o Globo.

“Este é um estudo muito importante. Ele complementa o teste Imbokodo de vacinas similares em mulheres na África do Sul e no Saara”, pontua. “Estamos esperançosos de que este regime de vacinação irá fornecer proteção contra a infecção pelo HIV, mas não saberemos até que façamos o estudo”, acrescenta.

A especialista apresentou os próximos passos do projeto na 10ª Conferência da Sociedade Internacional da Aids sobre a Ciência do HIV (IAS 2019), que terminou nesta quarta (24) na Cidade do México.

“Quando tivermos os resultados sobre esta fase do projeto, vamos juntá-los ao anterior Imbokodo, realizado no continente africano. Esperamos poder consolidar todos os dados dentro de dois anos. Os resultados iniciais do Imbokodo devem ser liberados no final de 2021 e os do Mosaico, que esperamos começar ainda este ano, serão divulgados em 2023.”

A fase 2, segundo a pesquisadora, está ocorrendo na África do Sul, Malawi, Moçambique, Zimbábue e Zâmbia. Estudos anteriores foram realizados nos Estados Unidos, Tailândia e outros países africanos.

Público alvo dos estudos

Os testes se concentram em populações de risco. Nos experimentos em território africano, foram as mulheres que receberam a vacina. De acordo com a Agência das Nações Unidas de Luta contra a Aids (Unaids), naqueles países, elas representam quase 60% dos casos de incidência da doença.

Na Europa e nas Américas o perfil é outro. Entre o grupo de risco estão, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, homens que fazem sexo com homens e mulheres trans, que representam dois terços dos novos diagnósticos. Receberão a vacina de teste indivíduos com idades entre 18 e 60 anos.

A pesquisadora norte-americana Susan Buchbinder, responsável pela Rede de Testes de Vacinas contra o HIV (HVTN), comentou em nota que este é um passo importante para o desenvolvimento de uma vacina segura e eficaz.

25/07/2019